Amor! A cura.
- Saúde 24, bom dia. Fala a Joana, em que posso ajudar?
- Bom dia. O meu nome é Patrícia e estou a sentir-me estranha. Não sei bem como o descrever.
- Pode indicar-me os sintomas que está a sentir?
- Sim, claro. Sinto palpitações no peito. Como se o coração quisesse explodir. Como se tivesse vontade própria e me quisesse sair do peito.
- Muito bem. Compreendo. Mais algum sintoma?
- Sim. A boca. A boca outrora fechada, agora não consegue parar de falar. Fala de amor, paixão. Libertação e outros sentimentos estranhos. Não me reconheço a mim mesma. É como se dentro de mim estejam a surgir novos sentimentos e sensações a cada minuto.
- Há quanto tempo sente os sintomas que descreveu?
- Bem, não sei muito bem dizer. É que eles têm andado aprisionados cá dentro há mais tempo do que deveriam. Mas nesta última semana, saem-me assim, sem querer. Eu bem tento controla-los, mas em vão. Querem-se ver ditos, escritos. Será grave?
- Pelos sintomas que me descreveu, parece-me que tenho um diagnóstico. É amor.
- É grave? Que precauções devo tomar?
- Vou-lhe prescrever uns medicamentos que devem ser tomados:
Coragem – sempre que sentir que o medo se apodera de si
Carinho – tome as doses necessárias por dia, para que o possa distribuir.
Amor – aqui temos dois componentes diferentes. O Amor próprio deve ser ingerido sem limite de dose. O amor pelos outros também não tem dosagem máxima, mas deve ter cuidado ao distribui-lo. Deve ser intercalado com doses homeopáticas de razão.
Equilíbrio – sempre que sentir que se está a tornar demasiado racional ou emocional, tome uma dose de equilíbrio para que encontre uma estabilidade.
Paixão – tome umas quantas doses por dia. Deixe-se apaixonar pelo que a move, por quem a move. Pela vida e pelos outros.
Inspiração – tome uma boa dose por dia ao acordar e seja uma inspiração para si e para o mundo.
Bom senso – ir tomando ao longo do dia.
Liberdade – tome a que precisar. Consciente de que os outros também têm direito à sua.
- Deixe-me ver se entendi. Esses medicamentos devo tomá-los para o resto da vida. Correto? Quais são as contraindicações?
- Bem, exato. Deve tomá-los no dia a dia para o resto da sua vida. Quanto às contraindicações são as seguintes:
Insegurança – há alturas em que vai sentir-se insegura e com medo de tomar os medicamentos. Vai temer que seja interpretada de uma forma errada ou que os outros se assustem com o que tem para dar.
Receio – podem ocorrer períodos de receio em que pensa que não deve dizer o que sente.
Espaço pessoal – pode sentir, por vezes, que está a invadir o espaço pessoal de alguém. Deixe que seja a pessoa a dizer-lhe o que é confortável ou não para ela. Você não é responsável pelo que os outros sentem ou pensam. Deixe essa responsabilidade para quem de direito a tem.
Medo – medo do ses da vida. Quando se sentir com medo, tome mais uma dose de coragem.
Mas não se preocupe com os efeitos secundários. É normal que aconteçam numa fase inicial da medicação, mas o coração habitua-se. Não deixe de tomar a medicação, sob pena de criar muros à sua volta. Esses muros são extremamente perigosos. Não os queira para si.
- Sim, compreendo. Só uma última questão. É contagiante? Vou ficar curada?
- Oh minha querida, o amor não é doença. É a cura. Quanto ao contágio, não se preocupe. Contagie o máximo de corações que puder. E seja feliz.
Miss Paty
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